Neto de líder cubano tentou enviar carta secreta a Trump com propostas e alerta, diz jornal
17/04/2026
(Foto: Reprodução) Presidente de Cuba diz que se prepara para ataque dos EUA
Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente cubano Raúl Castro, tentou enviar uma carta secreta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo reportagem publicada pelo jornal The Wall Street Journal nesta quinta-feira (16). O documento trazia propostas de investimentos, mas também incluía um alerta militar.
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Segundo a reportagem, o neto do líder cubano, também conhecido como “Caranguejo”, tentou enviar a carta por meio de um empresário rico de Havana.
A carta tinha formato semelhante ao de uma nota diplomática e levava um selo oficial cubano, de acordo com um funcionário americano ouvido pelo WSJ. No documento, Raúl propôs acordos econômicos e de investimento, além de alívio de sanções.
Por outro lado, segundo o jornal, ele também alertava que Cuba estava se preparando militarmente para uma possível invasão dos Estados Unidos.
De acordo com o WSJ, o plano era que um empresário cubano fosse até a Casa Branca, na semana passada, para entregar a carta pessoalmente. O homem trabalha com aluguel de carros de luxo e turismo de alto padrão.
No entanto, o empresário acabou sendo retido por um agente de imigração em Miami, quando tentava entrar nos Estados Unidos. Ele foi mandado de volta a Havana, mas a carta permaneceu com autoridades americanas.
O jornal disse ter procurado o governo americano para saber se a Casa Branca recebeu o documento, mas não obteve resposta. O WSJ também afirmou que não está claro por que o empresário foi retido no aeroporto.
Especialistas ouvidos pelo jornal afirmaram que o envio da carta indica uma tentativa do regime cubano de contornar as negociações conduzidas pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. O objetivo seria abrir um canal direto com Trump.
“Esse esforço sugere que eles não confiam mais em Rubio como interlocutor imparcial e querem apelar diretamente ao presidente para resolver a crise crescente”, disse Peter Kornbluh, coautor do livro Back Channel to Cuba: The Hidden History of Negotiations Between Washington and Havana, ao WSJ.
Ainda nesta quinta-feira (16), o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, assegurou que o país está "pronto" para enfrentar uma agressão militar dos Estados Unidos. A declaração foi feita um mês após Trump dizer acreditar que terá a "honra" de tomar Cuba.
Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente cubano Raúl Castro
Yamil Lage/AFP
Crise
Cuba está entre os alvos de Trump desde o primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Na época, ele reverteu a política de abertura adotada por Barack Obama e endureceu sanções contra a ilha.
Ao voltar à Casa Branca no ano passado, Trump revogou uma decisão do governo anterior e recolocou Cuba na lista de países que patrocinam o terrorismo.
Ao longo de 2025, a ilha ficou relativamente fora do radar da Casa Branca, mas voltou a ser alvo da política externa americana após a queda de Nicolás Maduro na Venezuela.
Em janeiro, a imprensa americana reportou que o governo Trump buscaria uma mudança de regime em Cuba até o fim de 2026.
Desde então, os Estados Unidos vêm intensificando a pressão sobre a ilha.
A mudança no governo da Venezuela foi fundamental para que Trump colocasse Cuba contra a parede. Após a captura de Maduro, em 3 de janeiro, os Estados Unidos passaram a impedir que Caracas enviasse petróleo ou dinheiro à ilha.
Sem petróleo, a situação em Cuba se deteriorou rapidamente. A ilha passou a enfrentar apagões frequentes, mergulhando o país em uma grave crise energética. Isso ocorre porque a rede elétrica cubana depende de combustível para gerar eletricidade.
Diante desse cenário, o governo cubano se viu forçado a iniciar negociações com os Estados Unidos. As conversas estariam sendo conduzidas sob a coordenação de Rubio — aliado de Trump que é filho de imigrantes cubanos e defende a queda do regime comunista na ilha.
Em fevereiro, o site norte-americano Axios afirmou que o próprio secretário estaria mantendo conversas secretas com Raúl Guillermo Rodríguez Castro à margem do governo cubano.
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